O método Pilates tem toda uma filosofia de ensino que foi desenvolvida pelo seu criador, J. Pilates e mais tarde disseminada por seus discípulos. Alguns desses mantiveram-se fiéis a criação do criador e outros enveredaram por rumos diferentes.
Na atualidade, verificamos profissionais que estão no mercado de Pilates e que oferecem aulas que fogem muito do que é realmente o método. Devido a formações frágeis, muitos desses profissionais acreditam estar trabalhando com Pilates porque aprenderam que Pilates era daquela forma que lhes foi passada.
O fato de colocar o cliente sobre um aparelho de Pilates não significa que se esteja ensinando-lhe Pilates. Não é incomum verificarmos vídeos na internet de pessoas "ministrando" aulas oferecendo à seus alunos exercícios totalmente fora do repertório do método e vendendo o peixe como se fosse Pilates. Isso é bastante preocupante. Por um lado porque o cliente pagou para ter aula de Pilates e no final está levando outra coisa diferente daquela que comprou e por outro, porque há uma banalização do método.
Assim como as artes marciais, os esportes, as diferentes modalidades de dança, o método Pilates tem elementos técnicos próprios, e afastar-se deles o descaracteriza. Seria como se um indivíduo procurasse uma academia para aprender Kung Fu e o professor trabalhasse em suas aulas as técnica de Judô ou Karatê, por exemplo, e o convencesse de que Kung Fu é aquilo que ele está lhe ensinando. Infelizmente essa situação tem ocorrido com frequência em estudios e academias de Pilates no Brasil. Se o profissional quer "inovar" o Pilates por ele ensinado, o mais correto seria divulgar que está oferecendo uma modalidade de aula baseada no método Pilates.
Algumas escolas de formação de instrutores de Pilates têm, em seus quadros de “profissionais formadores de professores", pessoas que fizeram cursos que duraram 1 ou 2 finais de semana e que pouco aprenderam sobre o método Pilates. Vendem uma formação baseada no "telefone sem fio". Sabem aquela brincadeira infantil que consiste em uma criança dizer no ouvido de outra uma frase que vai passando para outras até chegar ao final da fila e o último diz algo diferente do que foi dito pelo primeiro? Pois é... infelizmente muitas formações de profissionais são parecidas com essa brincadeira, ou seja, são baseadas em algo que foge daquilo que é realmente o método. No meu modo de entender, surge daí a ideia de que basta colocar o cliente sobre os aparelhos de Pilates para se trabalhar Pilates. Cadê os princípios do método? Se perguntarmos para esses instrutores o que é precisão e fluidez de movimento, power house, centralização, respiração, etc.. não saberão responder. E esses são princípios fundamentais do método Pilates!!! Sem eles uma aula de Pilates não acontece.
Fiquem atentos a quem são seus instrutores de Pilates. Não basta terem formação em Educação Física, Fisioterapia ou Dança. A PMA (órgão que regulamenta o Pilates nos EUA), recomenda que uma formação no método dure em torno de 450 horas (ministrada por profissionais que passaram por uma formação sólida para se tornaram formadores de professores), fora estágios e créditos em educação continuada.
Estela Rodrigues de Sousa (graduada em Educação Física, mestre em Educação e Instrutora de Pilates formada pela Power Pilates de New York).
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